27 setembro 2005

Sugestões de Leitura

. “Casei com a minha irmã” – Maria Alice perdeu a mãe, tragicamente, e apaixona-se pelo filho da patroa, que a expulsa. Mais tarde é dada como morta no desastre ferroviário de Alcafache e o rapaz que a desonrou casa com a própria irmã.

. “A prostituta virgem” – Natália foi difamada, publicamente, e o seu pai, acusado pela morte do sogro, morre assassinado à sacholada ao tentar redimi-la. Seu primo faz-lhe a vida negra e acusa-a de prostituta ao vê-la com uma criança nos braços.

. “Matavam as freiras grávidas” – A irmã Maria Teresa, a freira mais linda, ingressou no Convento das Cristianas por perder a filha. Ela e uma amiga desvendaram o mistério que envolvia a morte das freiras grávidas sepultadas no subterrâneo do convento.

. “O falo perdido” – Miguel e Damião amavam-se como irmãos e cresceram juntos numa quinta onde um criado os levou a práticas sexuais aberrantes. Um intrincado enigma envolvia o nascimento de Damião que fora abandonado à porta da mansão.

. “O violador das mortas” – O relato do amor entre um cego e uma jovem desfigurada que morre e é enterrada num cemitério onde um necrófilo, devido ao seu desequilíbrio psíquico, profanava os túmulos e violava as mortas. Um desfecho surpreendente.

. “Incesto sem pecado” – Duas crianças, trocadas ao nascer, vivem no mesmo palacete onde a rica ocupou a posição da pobre de quem passa a ser criada, enquanto a pobre ocupou o lugar da rica que odeia e maltrata. Este segredo origina ligações incestuosas.

Romances do autor Eurico Augusto Cebolo. Uma maravilhosa colecção que lhe proporcionará muitas e boas horas de apaixonantes e doentias punhetas, levando-o a envolver-se nas emoções vividas pelos personagens destas obras. Desde lenhadores em tronco nú a picheleiros excitados, o leitor sentir-se-á transportado para um mundo de absoluta e completa paneleiragem, um mundo onde se sucedem situações inolvidáveis em que o amor e o ódio, tal como o Bem e o Mal, travam uma luta sem tréguas até ao final de cada romance cujo desfecho é tão surpreendente que fará o leitor regozijar de alegria enquanto espeta um qualquer cabo de metal pelo cú acima. Não deixe de ler estas histórias, algumas delas baseadas em factos reais.

21 setembro 2005

DELÍRIOS DRAMÁTICOS

Hoje, trago-vos a este cantinho galhofeiro um pequeno exercício mental. É interessante constatar como determinados comportamentos que, em certos ambientes, até são aceitáveis e perfeitamente naturais, noutros completamente diferentes, assumem uma conotação radicalmente oposta, como sendo comportamentos desviantes, anormais, estranhos. Eu, meus amigos, insurjo-me contra essas merdas! Foda-se! Porque raio é que não hei-de agir sempre de igual forma onde quer que eu esteja, perante quem quer que seja? Para além de se tratar de uma questão de coerência, isso mexe com a minha honra, com a minha dignidade enquanto ser humano ainda é ser humano, com a minha mais básica liberdade de actuar conforme me der na real gana! Porque eu sou fiel aos meus sentimentos! Eu gosto de atirar pedrinhas ao charco para ver se acerto nas rãs, olha que merda! Hã?!?... Humm… Caralho, que já me enervaram!
Bom, mas já me estou a desviar do assunto. Ontem sucedeu-me a coisa mais engraçada. Estava num dos meus momentos “zen”, deitado a todo o comprimento sobre a minha cama, com a televisão sintonizada no “SMS TV” – único canal do qual sou fã incondicional e espectador assíduo – a olhar para o tecto. Na ausência de melhor programa – e sendo eu um indivíduo dinâmico, pró-activo – resolvi pegar no ursinho de peluche que tenho lá em casa ao lado da cama, na mesinha de cabeceira, e iniciei uma actividade lúdica… como dizer…? bastante interessante e imaginativa. Com a gaita-de-foles firmemente segura na minha mão esquerda e com o ursinho na minha mão direita, não estou com meias medidas, e vai de dar berlaitadas com o tubérculo na testa do indefeso boneco. E entretive-me naquilo durante largos minutos. Posso adiantar que de produtivo nada saiu dali. Se alguma coisa saiu, foi um ursinho de peluche com a testa suja. E este texto, vá… Não mais do que isso. No entanto, ainda brincava eu com a dita testa felpuda do boneco, quando, subitamente e sem que nada o fizesse prever, a minha mente me transporta para uma audiência de julgamento. “Mas que caralho…!” – cogitei eu, meio atordoado. “Uma audiência de julgamento, agora? Mas porque raio…?” Pois é. Desconheço a razão pela qual a minha massa cinzento-amarelada me arrebatou para uma sala de audiências. Não vale a pena tentar compreender. Estava eu ali, deitado, a dar cacetadas com a pixota na testa do boneco, com toda a força que o meu pulso conseguia encontrar, e dou por mim em plena sala de audiências. Isto deu azo a um mergulho filosófico no sentido das coisas. “E porque caralho não posso eu estar numa sala de audiências a desempenhar a mesma actividade a que neste momento me presto?” Debrucei-me sobre esse assunto durante a noite toda. Porque é que certas e determinadas actividades, quando desempenhadas no silêncio do nosso lar, ou num outro ambiente propício à coisa e tal, não podem ser executadas em ambientes mais sociais, como, por exemplo, numa audiência de julgamento? Por exemplo, ver uma gaja boa de bikini na praia faz soar o toque do hastear da bandeira, mas não nos surpreende por aí além! Porque é que nos pasmamos se vemos uma gaja de bikini no talho do nosso bairro? Porque não é de bom-tom? Pode estar imenso calor e a cabra andar com a crica assada! Não fica bem? Baahhh! Balelas! Isso não me convence. O que eu venho aqui propor é que façamos o que caralho quisermos, onde quer que nos apeteça! É uma questão de bom-senso.
Em Julgamento: Vamos, então, supor que estamos com vontade de encher a testa do Juiz de nódoas negras à força de piça. Meu dito, meu feito: sai uma “Testa Al’equimose” com molho de piça pr’á mesa 6. Seria, portanto, uma audiência de julgamento absolutamente normal, mas com a pequena particularidade de existir um sujeito que, ao ritmo do ribombar das sílabas, assim ele bateria com a sua pixa na testa dos vários interlocutores, numa cadência perfeitamente ordenada. Em conformidade, a acta do julgamento seria qualquer coisa do género: «O Exmo. Sr. Procurador X, ao mesmo tempo que apanhava com a verdasca do “O Avó” nos cornos, perguntou ao arguido se ele estaria disposto a confessar os factos. O Arguido retorquiu negativamente, porque tinha o chá ao lume e isso não lhe dava muito jeito, e também ele levou piçada na testa. O Meretíssimo Juiz declarou encerrada a audiência e apanhou com um jacto épico de langonha nas trombas, ao abrigo da glande do “O Avó”.». Seguindo esta ordem de ideias, se por mero acaso ao Senhor Juiz não lhe estivesse a agradar a sensação de chicha na testa, também este poderia actuar conforme achasse adequado, por exemplo, fincando bem os dentes no marsápio brincalhão. Calma! O meu é de aço inoxidável, não haveria problemas.
E quem diz “sala de audiências”, pode também dizer “reunião familiar”. No Natal, por exemplo, à mesa de jantar. Ou numa pastelaria, enquanto um gajo espera pelo seu croissant.
E tudo seria muito mais fácil. Íamos todos para casa, com a consciência de termos feito algo de positivo pela nossa sociedade. Sou um gajo utópico, é o que é…
Se este texto me vem ao pensamento numa situação real… Foda-se!

14 setembro 2005

Correio Assexual

"No outro dia, a minha mulher espalhou leite condensado pela minha genitália. Confesso que até foi razoavelmente aprazível, mas, passados dois ou três dias, apareceu-me uma alergia no pénis e tenho a sensação que foi disso. Será possível? "

L. G. - Montalegre

O nosso leitor é idiota. É ponto assente. Ultrapassada que está a constatação do óbvio, necessário se torna uma análise cuidada do cerne da questão. Mas quem é o filha-da-puta-atrasado-mental que deixa a sua mulher/vaca espalhar leite condensado por onde quer que seja? Especulemos... Por acaso a porca da sua mulher seria uma vaca leiteira? Por acaso o tímido leitor estaria a apertar as tetas da sua esposa-meretriz de modo a extrair algum leite para sua alimentação? A carta do nosso leitor rabeta não nos permite desfazer essa dúvida. Mas não me parece. São merdas destas que me provocam azia. Por estas e por outras é que eu fico horas e horas enfiado no meu cubículo a jogar Playstation, sem qualquer contacto com o mundo exterior, somente saindo para cagar e esporrar a cara do Carlos Malato. Caros leitores: nunca, repito, NUNCA deixar cabra alguma espalhar o que quer que seja em zona circundante à nossa piça num raio inferior a 3 metros. A não ser que seja suco vaginal. Nesse caso, é até aconselhável. Faz bem à pele. Mas, excluída a nhanha-da-cona, jamais se deve baixar a guarda perante uma gaja que, subitamente, aproveitando o intervalo monótono dos “Morangos com Açúcar”, se lembra que até era capaz de ser boa ideia espalhar leite condensado, manteiga de amendoim ou um qualquer outro produto alimentício pelo nosso tomatal. E isto porquê? Meus amigos, todos nós sabemos que o produto da nossa “horta” é produto sensível, susceptível às condições climatéricas, ao adubo utilizado, ao sistema de regadio, ao míldio (que estraga as culturas), ao solo, etc., etc., etc. O sexo feminino, essa grande praga bacteriana que afecta muitos dos nossos cultivos, é doença perigosa. A mulher/puta é bicho fodido! Hoje é leite condensado, amanhã é ácido sulfúrico. Quando “damos por ela” (atente-se ao duplo sentido), temos as culturas todas fodidas, caules cortados, tomates esmagados, pepinos podres, cenouras... enfim... Com a ascenção do movimento chamado de “feminista”, todo o cuidado é pouco. A terapêutica indicada para erradicar essa doença, que faz da “igualdade entre homens e putanas” o seu hino, passa por tacos de basebol, pés-de-cabra e, em casos extremos, caçadeiras de canos cerrados. Portanto, o nosso pequeno leitor cometeu um erro crasso: deixar aproximar essa pêga dos seus produtos hortículas com substância duvidosa. A fixar: não volte a fazê-lo.
Mas caro L.G. de Montalegre, porque não vale a pena chorar sobre o leite condensado derramado, aqui deixo à sua consideração o meu conselho para, pelo menos, amenizar a dor: tomar banho. O leite condensado, quando em contacto com determinados fluídos corporais durante várias horas (ou dias, como parece ser o caso sub judice), mormente, ao nível testicular[1], pode trazer vários inconvenientes, como sejam a comichão, a vermelhidão, o cheiro nauseabundo e até infecções fúngicas – a sobejamente conhecida tinea cruris. Qualquer indivíduo minimamente informado e que não seja um porco do caralho sabe disso. Tome especial cuidado com as infecções mistas, onde poderão surgir bactérias e fungos não susceptíveis, como a Candida Albicans. O leite condensado seco, juntamente com o suor e o surro da colhoada, pode levar o ser humano ao seu limite. Em alguns casos extremos, meticulosamente estudados em laboratório, foram detectadas sensações deveras desconfortáveis. Convém também aplicar produto venenoso para formigas, em quantidades moderadas, nos pés, a fim de prevenir que elas subam por aí acima e lhe tomem o gosto agri-doce. Desta forma, evita aquela sempre constrangedora situação do “Ai-que-estou-numa-repartição-de-finanças-a-preencher-o-modelo-6-do-I.R.S.-e-dou-por-mim-com-uma-invasão-de-formigas-no-escroto!”. Nada conveniente e chega a pontos de se tornar embaraçoso.
A evitar: Molho mexicano.
Sugestão do chefe: Maruca com salada russa. O pénis em erecção dá-lhe a sua pedra de toque e tem poucas calorias.


[1] É sabido que o suor dos colhões pode desencadear no seu portador sensações contraditórias de repulsa e fascínio olfactivo. Para evitar essas sensações, sugerimos a colocação de grampos metálicos – de preferência bem afiados – dentro dos boxers ou cuecas. Dessa forma, a dor infligida na tomatada tornará qualquer incursão naquela área uma autêntica luta pela sobrevivência, e o cheiro dos colhões, secundário.

08 setembro 2005

Expansão


Terá decerto este blog uma atitude vincadamente provocatória. Polémico desde a sua concepção, por obra do Espírito Santo (a instituição bancária, não a divina), espelha sem dúvida uma vontade de infinito.
Se um "tri" é bem mais do que um "bi", porque havemos nós de contentar-nos com pouco? Vejamos. É sem dúvida muito mais comum depararmo-nos com termos que traduzem duplicidade: binóculo (composição com dois pares de lentes), binómio (tds sabem o que é), bigorna (duas gornas), bilhar (dois lhares), bifurcação (divisão em dois do mesmo caminho), bitoque (dois toques suaves no ombro), bidé (dé-dé), etc. Lançamos o repto: sendo então perfeitamente banal a duplicidade, porque não ambicionar mais?